Theo – Uma história de superação e fé

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13

nov

2019

Por: Daniela Minez Tosto Nogueira
Na 16ª semana de gestação descobri que havia ocorrido uma má-formação com o feto e que, por não visualizar a bolha gástrica, o provável diagnóstico seria atresia de esôfago. Neste mesmo ultrassom escolhi o nome do amor da minha vida: Theo.
Moramos em uma cidade do interior que, embora em crescimento, ainda é deficitária com relação à saúde. Continuei fazendo meus exames pré-natais aqui, com um ótimo profissional que logo que descobriu me pediu para procurar um médico na capital pois minha cidade não dispunha de uti pediátrica e que, com certeza, ao nascer ele precisaria – mas jamais imaginaríamos que seria por prematuridade.
Como estava com apenas 16 semanas, não me apressei e, ao contrário, não “aceitando” o diagnóstico, resolvi buscar outras opiniões – o que me arrependo, pois, um dos médicos me sugeriu, inclusive, a prática de um aborto sob o fundamento de que meu filho, pela má formação, não sobreviveria.
Após este diagnóstico conheci meu primeiro anjo, de nome Eduardo (à época com 5 anos) que havia nascido com a mesma má -formação e que havia sido operado pelo Dr.Marco Antônio e ficado aos cuidados da equipe da UTI do Hospital Vila da Serra.
Eduardo era lindo e perfeito e fez vibrar meu coração.
No mesmo dia me dirigi ao Vila no intuito de agendar uma consulta com este médico. Estava com 33 semanas de gestação. O maior acerto da minha vida!!!
Na semana seguinte, às 3 horas da madrugada, minha bolsa estourou. Liguei desesperada para meu médico aqui que disse que eu deveria ir imediatamente ao Vila. Liguei para o dr. Marco Antônio (sim… as 3 da manhã), e mesmo pelo horário horrível ele foi de um cuidado e um amor impressionante.
Dei entrada no Vila e Theo veio ao mundo às 11h56 do dia 06/02/2015 através de Cesárea. Nasceu prematuro de 34 semanas, pesando 1,700 e medindo 42cm.
O que, para a maioria das mães é o dia mais feliz da vida, lembro deste momento com muita dor… prematuro e com a má formação da atresia confirmada, só pude ver Theo por 10 rápidos segundos, pois precisava ser levado em urgência para a UTI ou poderia se “afogar” na própria saliva.
Mas a pediatra que estava na sala de cirurgia tinha um olhar tão firme e ao mesmo tempo tão doce, aliado ao carinho e respeito do cirurgião, que a única coisa que pude fazer foi confiar. Orar e confiar.
Dois dias depois tive alta. Como dói entrar com o grande amor no ventre e sair de braços vazios. Como dói ter de deixar aos cuidados de desconhecidos a pessoa que você mais ama na vida. Quando estava saindo, sob lágrimas, uma outra linda mãezinha saía com seu filho – também Theo.
Ajoelhei no chão da entrada do hospital e gritei… um grito de dor incontrolável. Fui levada nos braços pelo pai do meu filho e por minha mãe.
Theo operou com 19 horas de vida para abertura de gastrostomia e ficou em sonda replogle por 68 dias antes da realização de anastomose aguardando o crescimento dos cotos, o que não ocorreu.
Meu Deus: sobe saturação, desce temperatura, não ocorra bradicardia… a gente fica viciada em monitor.
Quando da cirurgia, o cirurgião resolveu pela tentativa de ligação dos cotos, conseguindo. Teve alta da UTI Neonatal com 90 dias de internação. Neste meio tempo os “desconhecidos” passaram a ser conhecidos, amigos e até irmãos.
A esquipe é tão maravilhosa que, mesmo depois da alta, não conseguimos mais nos separar deles… passei a sair de minha cidade para fazer acompanhamento pediátrico mensal com o Dr. Carlos Milton: dedicação, experiência, habilidade e inteligência em um profissional.
Entretanto, aos 6 meses de idade descobriu-se uma segunda má formação também no esôfago – um coristoma.
Um dia antes do aniversário de 1 ano fora realizada cirurgia para retirada do coristoma, sendo a cirurgia apenas exploratória, pois não houve a localização da cartilagem. Nesta segunda internação, permaneceu por cerca de 10 dias. Passou seu primeiro aniversário na UTI.
Aos 18 meses de idade nova internação para tentativa de retirada do coristoma, com sucesso. Entretanto progrediu com gastroparesia não identificada de início, tendo que se submeter a outras duas cirurgias –momento mais crítico de sua vida– quando a cirurgia anterior ‘arrebentou” e progrediu com pneumotorax por causa do bário entre outras coisas.
Posteriormente se submeteu a nova cirurgia com reabertura da gastrostomia, jejunostomia e bypass em Y. Teve alta após quatro meses de internação com sonda jejunal ligada em bomba de alimentação durante 24 horas ininterruptas, sem se alimentar oralmente, sem andar, sem falar e com extrema desnutrição.
Mais uma vez seu quadro piorou, progredindo com refluxo severo que agravava s eu quadro cirúrgico e nutricional, retornando à UTI três meses após sua alta, passando por uma nova cirurgia e permaneceu por mais 21 dias internado.
Após a alta iniciou procedimentos de dilatação, que já somam 56 até o momento. Não tinha perspectiva de se alimentar oralmente, de falar ou de andar. Paralisia Cerebral, Gastroparesia, Intercorrências Cirúrgicas, Anemias, Transfusões de Sangue, Infecções, entre diversas outras coisas poderiam ser empecilho para uma vida plena.
Mas não para Deus e não para os médicos que o acompanharam na UTI e o acompanham até hoje. Médicos que, por mais difícil que a situação parecesse, por mais chata que uma mãe de uti se torne, por mais complicações que apareçam, jamais desistem de salvar a vida de nossos filhos. Jamais desistem de dar uma vida linda a nossas crianças. Jamais desistem da gente.
Hoje, próximo de completar 5 anos fala perfeitamente, já sabe ler, está aprendendo a fazer operações matemáticas, melhora sua coordenação motora a cada dia, já andando de forma completamente funcional e principalmente, se alimenta exclusivamente oral. E como come!
Somos eternamente gratos a todos da equipe da UTI do Hospital Vila da Serra. Minhas orações diárias, que antes eram par rogar a Deus pela vida do meu filho, se transformou em cântico de gratidão a profissionais tão Humanos.

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