Nossos anjos

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27

nov

2019

Por: Lorraine Fernanda Siqueira Neves 

Os gêmeos Lucca e Laura nasceram prematuros extremos na manhã de 26 de outubro de 2018, em uma situação crítica com 27 semanas de gestação devido a um caso grave de pré-eclâmpsia com síndrome de Help, insuficiência placentária grave e crescimento intrauterino restrito.  

Os bebês nasceram por meio de uma cesariana de emergência. Laura com 560g e Lucca com 900g, foram direto para o CTI. Devido ao meu quadro também fui direcionada ao CTI e permaneci por seis dias. 

No sétimo dia de vida conheci os bebês. Embora soubesse da gravidade, fiquei muito assustada ao ver o quão frágeis e pequenos eram, ainda assim eles eram lindos. 

No decimo terceiro dia, por complicações da prematuridade perdemos a Laura, ouvir a notícia de que o coração do seu filho já não bate mais no peito é algo tão insuportavelmente doloroso, que faz com que toda a alegria e esperança desapareçam como bolhas de sabão que estouram ao simples toque.  

Sim, a dor é grande, incapacitante e parece infinita. Mas é uma dor transformadora e que vai te mudar para sempre.  

Saiba que a vida é cheia de coisas que nos fazem sofrer, mas o que fazemos a partir daí é que faz a diferença. Sim, você é forte e capaz de se reerguer, seguir em frente e aprender com a dor. Não é uma tarefa fácil, mas aprendemos que o abismo não é eterno e que somos capazes de “juntar os caquinhos do coração”.  

Com o tempo a dor vai virar saudade e aos poucos, será possível voltar a sorrir. Mas o choro às vezes será inevitável, e tenho certeza de que irei chorar por ela até o fim da vida, pois o amor e a saudade são sentimentos eternos.  

Seguimos em frente, caminhando um dia de cada vez com cada conquista e melhora que o Lucca apresentava. Prematuros extremos que sobrevivem, passam por diversas intercorrências, mãezinha”, essa frase era repetida por diversos médicos insistentemente, perder outro filho não era uma hipótese considerada por nós!  

Lucca teve infecção por klebsiella pneumoniae aos 15 dias de vida, hemorragia pulmonar, pneumonia, evoluído para sepseneonatal, 34 dias de intubação, o que ocasionou a displasia bronco pulmonar, 17 dias em VNI, 21 dias em CPAP e 28 dias em cateter nasal, 5 dias em ar ambiente sendo acompanhado e monitorado até a sonhada alta.  

Sim passamos por diversas intercorrências e sobrevivemos. Após 105 dias de internação, com 2180kg, sem nenhuma sequela, Lucca teve alta 

Ele é nossa razão de viver, nossa alegria diária, minha criança doce e alegre!  

“Não há dias cinzentos para quem sonha colorido. E como nós sonhamos! 

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