Nossa História…

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18

nov

2019

Por: Emilaine Sueley Alves de Oliveira
Eu sempre sonhei em ser mãe!
Quando descobri que estava grávida, foi uma alegria imensurável. Em meu coração, a certeza que mais um sonho iria se realizar. Quando fiz o meu primeiro ultrassom e ouvi o coraçãozinho do meu bebê batendo, eu fiquei sem palavras. O meu coração ficou radiante!
Fiz o pré-natal direitinho e a cada consulta o meu coração ficava mais ansioso, pois queria logo descobri o sexo do bebê. Independente de menina ou menino, eu já amava de uma forma incondicional. Eu queria muito saber o sexo para planejar tudo com muito amor e carinho, como tudo que faço em minha vida. Eu queria dar o melhor para o meu bebê. Os meses foram passando, e chegou o grande dia. Eu já tinha em mente o nome de um menino, porém o de menina eu não tinha decidido ainda.
Como é difícil escolher um nome para um filho, não é?! Tivemos uma grande surpresa: era uma menina. Logo pensei:rosa, rosa e rosa…E o meu coração ficou ainda mais feliz, pois o meu sonho sempre foi ter uma menina. Mas, sempre pedia a deus que independente de ser uma menina ou menino, que venha com muita saúde, pois amor e carinho nunca iriam faltar.
Seguimos com a gestação com os nossos corações repletos de alegria e ansiosos com cada detalhe do enxoval. O papai fez questão de escolher o nome da nossa princesa. Laura foi o nome escolhido por ele. Quando eu pesquisei o significado, eu não tinha dúvidas de que esse era o nome perfeito para ela. Laura significa “Loureiro”, “Vitoriosa”, “Triunfadora”.
Minha gestação foi muito tranquila desde o início. Nenhuma intercorrência, exames sempre dentro da normalidade e pressão arterial sempre normal.
Na madrugada do dia 20/07/2019, eu acordei com uma cólica e um mal-estar. Achei que era por algo que comi e não tinha me feito bem. Quanto a cólica, achei que era normal, pois já tinha sentindo isso algumas vezes. Tentei dormir novamente, mas não conseguia, pois, a dor estava aumentando pouco a pouco. Meu marido percebeu que eu estava muito inquieta e me perguntou se eu estava bem. Contei para ele o que eu estava sentindo e ele me chamou para ir no hospital e logo respondi: eu não quero ir, são 2 horas da manhã, isso vai passar.
Tentei dormir, mas não consegui e as dores estavam só aumentando. Acordei o meu marido e pedi que me levasse no hospital, pois eu não estava mais suportando as dores. A caminho do hospital, estava sentindo muitas dores e achei que não ia chegar a tempo de ser socorrida. O desespero tomou conta de mim.
Chegando ao hospital Vila da serra, fui rapidamente atendida e minha pressão estava alta. Eu perguntei: como? Eu nunca tive pressão alta. A médica de plantão me examinou e meu colo estava fechadinho, eu não tinha tido nenhum sangramento, mas as dores eram cada vez mais fortes. Ela tentou ouvir o coração do bebê e não conseguia ouvir. Entrei em desespero, e logo pensei: eu perdi o meu bebê.
Fiz uma consulta com um cirurgião e ele me pediu vários exames e me deu um remédio para dor. Logo a dor foi embora, eu não sentia mais nada. Estávamos esperando os resultados dos exames, pois ainda não haviam fechado um diagnóstico. Mudaram o plantão e a médica que entrou pela manhã, tentou ouvir novamente o coraçãozinho do bebê. Após várias tentativas, ouvimos o som que eu tanto esperava ouvir novamente, o coraçãozinho batia forte. Respirei aliviada.
Quando os resultados chegaram, tivemos a triste notícia que teríamos que interromper a gestação, pois o meu quadro era grave…Doença hipertensiva específica da gravidez, evoluiu para Síndrome de HELP. Entrei em desespero. Eu perdi o meu chão! Disse para a médica: mas eu só estou de 24 semanas?! Ela me explicou que eu já estava correndo risco de vida, pois meus exames estavam todos alterados e que não tinha outra maneira de solucionar esse problema.
Após muita conversa com a equipe do Vila da Serra, fiquei mais calma e então começamos a resolver as questões para realizar o procedimento. Eu tive que fazer uma cesária de emergência e fui submetida anestesia geral. As 18h23, a Laura nasceu. Pesando apenas 460 Gr, medindo 26,5 cm e com apenas 24 semanas e 6 dias de gestação. Ela foi levada direto para a UTI NEO. E eu também fui para a Uti adulto, onde fui muito bem cuidada e acompanhada por toda equipe do HVS.
Quando fui conhecê-la, ela já tinha 6 dias de vida. Devido as minhas condições clínicas e por estar na UTI, com dreno e sonda, não pude sair antes, apesar de querer muito ter estado ao lado dela desde o primeiro segundo da vida dela. Quando a conheci, eu fiquei muito assustada, pois ela era muito mais muito pequena.
Chorei muito quando a vi naquela situação. Eu não tive muito leite no início. Recebi a visita da Bruna do aleitamento materno e ela me ajudou muito nesta questão. Mesmo tendo pouco leite nos primeiros dias, eu sempre tirava para ofertar, pois sabia da importância do leite materno. Depois de alguns dias após a minha alta, comecei a tomar uma medicação para produzir mais leite. E deu certo. Conseguia ofertar uma quantidade maior para Laura.
Os primeiros dias da Laura, foram bem complicados devido ao fato de ela ser muito prematura e muito baixo peso. A Laura fez uso nos primeiros dias de vida de Dobutamina, Adrenalina e Noradrenalina. Fez uso também de antibióticos devido a um quadro de pneumonia. Ela tinha crises convulsivas e teve melhoras após iniciar as doses de Fenobarbital.
Laura lutou muito para viver. Apesar do quadro clínico dela ser muito delicado, dentro dela tinha uma força enorme e uma vontade de viver admirável e apesar de todas as dificuldades e obstáculos, ela nunca desistiu de lutar. Ela foi mantida na Ventilação mecânica (VM), modificado para ventilação de alta frequência (VAFo), no 3° dia de vida e mantido por 5 dias e em ventilação mecânica convencional por 29 dias, sendo extubada em 23/08/2018, colocada em VNI que foi mantido por 2 dias, em CPAP nasal por 8 dias, apresentou apneia, retornado para VNI, que foi mantido por 8 dias.
Apesar de todas as dificuldades e obstáculos que encontramos no decorrer dessa jornada, seguimos firme, confiando em Deus e estando todos os dias ao lado da nossa guerreira. O quadro da Laura estava se estabilizando mais a cada dia. Ficávamos felizes com cada graminha que ela ganhava, com cada evolução do quadro dela, o nosso coração se alegrava com cada conquista.
No dia 27/09/2018, ela teve uma piora no quadro que não conseguimos acreditar, pois o quadro já tinha estabilizado e ela estava bem. Ela apresentou vômito volumoso, com posterior parada cardiorrespiratória, sendo reanimada por 16 minutos. Recebi uma ligação do hospital com essa triste notícia e perdi o meu chão mais uma vez. Fiquei com muito medo de perdê-la e não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo, pois, um dia atrás estávamos comemorando mais uma vitória dela.
A Laura passou a ser o bebê mais grave de toda UTI. Evoluiu com piora clínica, sendo entubada novamente, mantida no VM por 25 dias. Não podíamos nem a tocar, pois a pressão arterial estava muito baixa e a saturação caia com muita frequência.
Foi uma fase muito difícil, tivemos muitas intercorrências nesse período, mais seguimos com a certeza que iriamos vencer. Laura lutou muito e mais do que nunca para conquistar mais essa vitória. Estivemos ao lado dela, todos os dias durante a sua internação e como isso fez diferença.
Tinha dia que o meu coração estava tão triste com alguma notícia que eu não tinha força nem para chorar, mas nunca deixei de estar ao lado dela. Segurava sua mão e ela apertava forte o meu dedo e isso me fazia acreditar que desistir nunca foi uma opção. O tempo foi passando e o seu quadro estabilizando.
Comemorávamos cada etapa vencida. Cada graminha que ganhava o nosso coração saltava de alegria, tudo era motivo de comemoração. A Laura deixou de usar o oxigênio da noite para dia. Eu não acreditei quando vi ela respirando sozinha, pois todos os dias os médicos falavam que ela ainda era muito dependente do oxigênio.
Em 27/11/2018, ela estava respirando sozinha, em ar ambiente e não teve nenhuma intercorrência, mantendo bom padrão respiratório. A Laura não ficou com nenhuma sequela!
Foram 4 meses e 20 dias de internação. Eu apreendi muito nesse período. Comecei a enxergar a vida de outra forma. Todos os dias quando eu chegava em casa do hospital, eu sempre dizia: obrigada meu Deus, por mais um dia vencido!
Sou muito grata a deus por tudo. Não foi nada fácil, passar por tudo isso, mais Deus cuidou de cada detalhe. Conheci pessoas admiráveis, que estiveram ao me lado no momento mais difícil da minha vida.
Que cuidaram de mim e que me ensinaram que a vida é simples, porém cada segundo deve ser valorizado. Minha gratidão eterna primeiramente a Deus, por ter me escolhido para cuidar desse milagre. Ao meu marido que esteve presente em todos os momentos. Aos meus pais e minha irmã, que sempre estiveram ao meu lado e me ajudaram a superar essa fase tão difícil da minha vida. A minha família e amigos que torceram muito para que tudo desse certo. As minhas amigas, também mães de UTI que fizeram essa jornada mais leve e estiveram sempre ao meu lado.
E, claro que não poderia deixar de dizer o quanto sou grata a toda equipe do Hospital Vila da Serra.
Foi assim que eu descobrir o grande amor da minha vida!

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