Nossa história!

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26

nov

2019

Por: Raquel Rocha 

Ana Laura e Cecília nasceram no dia 1 de outubro de 2014, com 26 semanas e pesando de 700 e 760 gramas, respectivamente.  

Ana Laura esteve conosco por 23 horas. Mesmo em um ambiente frio, com máquinas, barulhos e até então, totalmente desconhecida por nós, a sua partida foi doce e embalada pelos meus braços.  

Em suas últimas horas, dra. Tilza nos chamou e expôs toda a fragilidade da saúde da Ana Laura com muita doçura e cuidados nas palavras. Ainda viva, pudemos carregá-la, abraçá-la, cheirá-la, senti-la… E momentos antes da sua partida, a draTilza chega e nos diz: ” Fiquem o tempo que quiser”.  

E assim fizemos. Ficamos horas com ela ali, nos despedindo, nos abraçando, passando a ela todo nosso amor. Mesmo com todo sofrimento que havia em nossos corações naquele momento, sentíamos que nossa dor foi respeitada e isso nos trouxe paz. 

Cecília ficou 100 dias na UTI e mais 8 no apartamento se preparando para ir para casa. Foram dias de altos e baixos, uma verdadeira montanha russa. Havia dias que tínhamos a certeza de que ela sairia no dia seguinte e quando chegávamos, parecia que ela tinha acabado de nascer e que tudo tinha voltado como antes.  

Passamos por muitos apertos, por notícias ruins, mas os bons dias têm espaço vip em nossas memórias e a elas fazemos questão de sempre lembrar.  

Conhecemos médicos espetaculares. Entre eles, a dra. Simone Cirino, que nos acompanha desde a alta da Cecília, e a ela dou todos os méritos por me encorajar a ser uma mãe comum, sem neuras e sem preocupações desnecessárias.  

Às enfermeiras e fisioterapeutas, o nosso grande carinho e reconhecimento. As técnicas de enfermagem que com o passar dos dias dentro da UTI tornaram-se amigas. Foram cuidados tão pequenos que talvez elas nem saibam o quanto eram acalentadores para mim.   

Todo dia havia um lacinho diferente na Cecília. Vibraram e algumas até choraram comigo quando ela saiu do tubo. No primeiro dia que pudemos colocar uma roupa na Cecília, elas chegaram empolgadas trazendo a novidade.  

Tiveram uma paciência ao ensinar a dar banho na Cecília. Nos dias mais difíceis, traziam palavras de força e de fé. E toda a noite antes de voltar para casa com o coração na mão, elas diziam: ” Pode ir em paz, vou tomar conta como se fosse minha filha”E no dia seguinte, quando chegava, sentia que a promessa havia sido cumprida. 

No dia da alta, o choro foi uma mistura de alegria e de medo. Havia um mundo novo que começava naquele momento, sem o apoio daquelas pessoas tão especiais e que fizeram uma grande diferença nos primeiros 100 dias da minha filha.  

Graça a Deus conseguimos vencer. Cecília é uma menina linda, doce, viva e saudável. Sempre que vamos ao Vila, fazemos questão de visitar a UTI, rever os nossos amigos e abraçá-los tão forte quanto podemos na tentativa de dizer o quanto somos gratos por eles e por suas escolhas profissionais.  

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