Dois anjos em nossas vidas

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25

nov

2019

Por: Greice Quéria da Silva Fontes 

Eu sempre sonhei em ser mãe, em ver minha barriga crescer, viver cada momento da gestação e foi tudo programado, planejado. Mas os planos de Deus para nós eram outros. Eu seria mãe, mas seria mãe de Guerreiros. 

Meu sonho começou a se realizar quando descobrir que estava grávida, mas uma semana depois da descoberta eu tive meu primeiro sangramento, um descolamento de placenta foi um susto e com isso tive que fazer meu primeiro ultrassom e ali tive uma notícia maravilhosa descobrimos que eram dois fetos, que eu estava grávida de gêmeos. 

15 dias após o primeiro descolamento de placenta tive o segundo descolamento. Começou ali um medo de perder meus filhos. Uma semana depois, o terceiro descolamento de placenta. Perdi muito sangue, fui para o hospital e ali fui examinada e escutei do médico de plantão que eu havia perdido os bebês. Iriam me internar pois já era noite e no dia seguinte faria alguns exames.  

No dia seguinte fui fazer a ultrassom e para nossa surpresa meus filhos estavam ali, os corações batiam mais fortes que nunca, comecei então um repouso absoluto. Algumas semanas depois, em um novo ultrassom veio uma triste notícia que nos abalou muito: um dos fetos estava com uma má formação na coluna conhecida como Mielomeningocele e que o bebê teria que passar por uma cirurgia com menos de 24 horas de vida.  

Começou ali nossa luta. Na minha cidade não tinha recurso para que meu filho fizesse essa cirurgia. Foi quando meu médico me encaminhou para o Hospital Vila da Serra. Eu e meu marido abandonamos tudo e viemos lutar pelos nossos filhos 

Chegamos no dia 6 de outubro para uma consulta de rotina, mas eu já estava com dilatação e fui internada. No dia seguinte, 7 de outubro de 2016, eles nasceram. Foi tudo muito rápido e assustador. Eu tinha acabado de completar 28 semanas, exatos seis messes de gestação. Eram muito pequenos, mas nasceram. Os nomes seriam Arthur e Lucas. 

O primeiro a nascer foi o Arthur. Ele tinha a má formação na coluna e não pude vê-lo. Ele nasceu com 1000g e o levaram com urgência para a UTI Neonatal. Com o Lucas também não foi diferente. Não pude vê-lo. Ele nasceu com 1185g e já saiu da sala entubado 

Mais tarde recebemos mais uma notícia triste. O Lucas também tinha nascido com uma má formaçãoatresia de esôfago e também teria que passar por uma cirurgia em menos de 24 horas de vida.  

Eu não sabia mais o que pensar. O desespero começou a tomar conta de mim, o medo de perder meus filhos era muito grande, mas os coloquei nas mãos de Deus. Eles foram recebidos na UTI Neonatal por anjos. É como chamo todos lá sem excluir ninguém.  

Veio a primeira cirurgia, meses de intubação, CPAP notícias boas, ruins, momentos de dor, angústia, desespero, mas sempre com fé, fomos recebidos com muito carinho. Amor por toda a equipe da UTI Neo, eu fico até com medo de falar nomes e esquecer de alguns por que foram muitos os que nos deram força, que acolheram Arthur e Lucas com amor e muita dedicação.  

Nunca vou me esquecer do primeiro dia que pude pegá-los no colo depois de messes. Foi uma emoção que só uma mãe de prematuro, mãe de UTI sabe como é: inexplicável. Ter que ir embora e deixálos ali era a coisa mais difícil da minha vida. Foi como se eu estivesse deixando parte de mim para trás.  

O Arthur, por conta da má formação na coluna ficou com algumas sequelas. Ele tem a bexiga e o intestino neurogênico, não tem controle, ele não tem sensibilidade nas pernas e após três messes de UTI e muita luta, ele venceu uma etapa da sua vida e teve alta. Foi um dia muito especial para nós, masmeu coração ficou em pedaços pois estava levando o Arthur para casa e ainda deixando o Lucas.  

O Lucas ficou 1 ano e 4 meses na UTI passou por várias cirurgiasdo esôfago, gastro, intestino, estômago, traqueostomia. Foram messes de muita dor, mas também de muitas vitórias. Como foi difícil ter que cuidar do Arthur em casa e ficar com o Lucas na UTI.  

Mas vencemos cada dia com a ajuda dos médicos, enfermeiros, técnicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, verdadeiros anjos. Depois de um ano, o tão sonhado dia chegou.  

Lucas receberia alta e iria reencontrar seu irmão. Ele iria para casa com respirador oxigênio, seria uma UTI em casa, estávamos esperançosos. Mas, não foi como esperávamos. O Lucas veio para casa no dia 4 de outubro de 2017, e ficou apenas 24h. No dia seguinte estávamos voltando com ele pra UTI pois piorou com problemas respiratório.  

Ele ficou internado por mais 4 messes. Quando da alta, o medo de levá-lo para casa e ter que voltar novamente era grande, mas iríamos tentar mais uma vez e assim fizemos. Depois dessa alta ele ainda teve algumas intercorrências tendo que voltar para UTI alguns vezes, mas aos poucos fomos vencendo 

Ele saiu do respirador, do oxigênio, tirou a gastro. Ainda tem traqueostomia, mas vamos tirar. O Arthur nesse período estava lutando também com muita fisioterapia para que um dia ele possa andar e juntos eles lutam e vencem a cada dia.  

Hoje eles estão com 3 aninhos. Ainda estamos em BH, mas eles estão cada dia melhor. Nosso sonho hoje,é poder voltar para casa, em Viçosamas Deus está no comando.  

Minha gratidão pelo hospital Vila da Serra em especial a toda a equipe da UTI Neonatal e Pediátrica é enorme. Não teríamos vencido se não fosse a dedicaçãoo AMOR, o carinho deles.  

O que eles fizeram e fazem por todos esses guerreiros é inexplicável. Que Deus abençoe sempre a cada um de vocês e aqui fica o nosso muito OBRIGADO 

GRATIDÃO SEMPRE.   

Guerreiros que não desistem nunca! 

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