Nosso pequeno guerreiro – Raphael

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28

nov

2019

Raphael nasceu no dia 23/09/2013, com 32 semanas e pesando 1,385g devido ao descolamento de placenta que tive, no Hospital Otaviano Neves. 

Por ter ingerido a minha placenta, Raphael teve uma infecção. Os médicos logo iniciaram o tratamento com antibióticos para combater a infecção. Com dez dia de vida, veio o quadro de interoculite, começando aí sua batalha pela vida.  

Foram feitas duas cirurgias no Hospital Otaviano Neves e uma transfusão de sangue Devido a gravidade do quadro clínico, a cirurgiã Dra. Rosemary  Bahia, nos pediu autorização para transferir Raphael para o Hospital Vila da Serra no dia 16 de outubro de 2013.  

Depois de duas semanas os pontos da cirurgia abriram e mais uma vez Raphael foi operado de emergência, na época da transferência do Raphael para o Vila da Serra, Dra. Rosemary disse que se Raphael, fizesse outra cirurgia não resistiria. Mas, graças a Deus Raphael resistiu.  

Passaram dias e mais uma vez Raphael recebeu mais uma transfusão de sangue, foram dois meses e meio entubado. Para os médicosRaphael não iria sobreviver, como sou uma pessoa de muita fé, graças a Deus meu filho melhorou e teve alta dia 23 de dezembro de 2013, sem aparelho nenhum, somente com a colostomia.  

Raphael usou bolsa por dois anos e há quatro anos graças a Deus Raphael está sem a bolsa e muito bem de saúde. Agradecemos toda a equipe do Hospital Vila da Serra, em especial a Dra. Rosemary Bahia e o Dr. Carlos Milton que foram verdadeiros Anjos na vida do Raphael. 

História de Laura

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28

nov

2019

Há 3 anos você chegava, meu amor! 

Foram tempos difíceis…Em alguns momentos achávamos que não daríamos conta. Nem podíamos encostar em você para que não ficasse instável. 

Mas era você lá, sempre com uma carinha linda de olhar profundo. E ficávamos lá só a te olhar.  

Como poderíamos esmorecer? Como poderíamos cair?  

Apesar de frágil, você se mostrava muito mais forte que nós. Não parecia uma opção. Queríamos você e precisávamos mostrar o quanto você era importante para nós.  

Rezamos para que pudesse e escolhesse ficar.  Hoje, somos só agradecimento. Fomos muito abençoados.  

Você ficou! E nos ensinou a ter fé na vida, nas pessoas, em tudo o que há de bom.  Você é linda, saudável e feliz. E nós somos eternamente gratos por ter nos escolhido para sermos seus pais.  

Seja muito feliz, nossa filha! Te amamos demais.  

Obrigada à vida, a Deus, à Nossa Senhora por ter nos permitido, hoje, estar com você em nossos braços. 

Obrigada a todos que estiveram junto a nós, família, amigos, profissionais e a todos do Hospital Vila da Serra. 

Heloísa

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28

nov

2019

Sou a Rute, mãe de dois filhos: Matheus de 3 anos e Heloísa de 1 ano. 

Em 2014, tive uma gravidez ectópica, e perdi uma trompa.  Em 2015, fiquei grávida novamente e nasceu o Matheus. 

Em março de 2018, descobri que estava grávida, e eram gêmeas. Nos meses seguintes, descobrimos que as bebês estavam com crescimento seletivo, Camilla era menor que Heloísa. Em agosto, no dia dos pais, passei mal em casa e ao chegar no hospital, os médicos optaram por me internar, devido ao aumento da pressão e a situação das meninas. Tive pré eclampsia e foi necessário interromper a gestação.

No dia20 de agosto, com 25 semanas as gêmeas nasceram. Camilla nasceu com 420 gramas, e Heloísa com 720 gramas. Infelizmente, no dia 22, Camilla não resistiu e faleceu. 

Com 20 dias de vida, Heloísa passou por um procedimento cirúrgico, pra fechar o canal arterial, ficou no respirador de alta frequência por mais de  dois meses,teve sepse,passou por duas transfusões de sangue,e pouco antes de teralta,passou por um cateterismo.  

Heloísa ficou internada na uti,121 dias,destes ,117 ficou dependendo de oxigênio e teve alta no dia 21 de dezembro. Em janeiro ficou mais 9 dias internada na enfermaria, devido a uma bronquiolite. Desde então não precisou ser mais hospitalizada. 

 

A história de Mariah

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28

nov

2019

32 anos e eis que o relógio biológico bateu a minha porta e com ele muita ansiedade, muita espera e eis que a gravidez aconteceu. Era uma menina – minha Alice – tudo corria bem até que perto de 24 semanas, começa uma dor epigástrica horrível. Depois de 9 dias com essa dor, muitas consultas, exames, idas e vindas a maternidade e com pressão alta, chegando a 20×12, descubro que minha pequena com apenas 24 semanas e 3 dias precisaria nascer, um susto, era final de ano, dia 30/12/15. Meu corpo estava em colapso, era algo que nunca havia ouvido  falarHellp Síndrome. Com apenas 480 gramas minha Alice, muito sofreu nestes 9 dias de dor e prematura extrema não suportou e voltou para o céu em 01/01/2016.   

Depois do choque, veio a realidade e fomos buscar conhecimento, entender o que havia acontecido. Muitos exames para pesquisar trombofilia e esperança em ter outro bebê sem passar por aquele pesadelo. Depois da liberação medica, em setembro de 2016 veio novo positivo, Maria Cecília estava a caminho.  Pré– natal de alto risco, uso de AAS e muito medo. Tudo ia bem até que por volta de 23 semanas, a pressão volta a subir e em ultrassonografia descubro que minha bebe não estava crescendo. Era sexta feira e fomos internadas para acompanhar. Meus exames estava tudo bem, mas a bebê estava centralizando fluxo, espera, corticoide com 24 semanas e muita oração. Maria Cecília estava com CIUR e novamente em 24 semanas e 3 dias, chegou a diástole zero e teve que nascer. Era 09/02/2017, chegou pequena também, menos de 500 gramas e lutou no neonatal por 34 dias até que nos deixou em 13/03/17, não resistiu a enterocolite. Tudo novamente: dor, tristeza, medo.  

Passa o tempo e aquele sentimento de ser mãe, não passa. O coração dizia que não havia acabado, que o sonho não devia ser esquecido; mas como diante de tanta dificuldade em seguir com uma gravidez.  

2018

Após um ano, novamente fui autorizada a engravidar. Era março e veio o positivo. Injeções na barriga para conter alguma trombose, AAS e um acompanhamento muito de perto. Aos 6 meses, a pressão começa a subir, inchaço, nova internação. Agora no Hospital Vila da Serra, internei dia 02/10/18 e a equipe de alto risco iniciou corticoide para amadurecer os pulmõezinhos, exames diários e pressão alta tentando ser controlada. Em 08/10/18 chegou minha pequena Mariah com 29 semanas e 3 dias, 965 gramas. Ficou na UTI Neonatal, cada dia era uma luta e dentro do tempo certo as vitórias começaram a ser percebidas. Os corações se enchiam de alegria com cada conquista de nossa pequena guerreira. Com as graças de Deus e os cuidados intensivos, em 19/12/18 fomos para casa. Melhor natal dos últimos anos!  Nossa família está completa com papai, mamãe, Mariah, suas duas irmãzinhas olhando por nós no céu e dois Auau. 

Hoje Mariah está com 1 aninho e 1 mês. É uma criança muito alegre, inteligente e o melhor presente que Deus poderia ter nos concedido é a graça de cuidar desta pequena. 

 

Pietro

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28

nov

2019

Por: Izabela Pêgo 

Pietro chegou ao mundo no dia 08 de outubro de 2018, com 31 semanas, pesando 1.500 kg e medindo 30 centímetros. 

Chegou para nos trazer felicidade, amor, paz e principalmente nos ensinar o que é a fé. Antes dele, não entendíamos o que é a fé, só depois da intercorrência e o susto do parto e seus 45 dias no CTI entre altos e baixos e finalmente a alta, entendemos o que é a verdadeira fé em Deus. 

Talvez quem não passou por isso não entenda o que significa 45 dias esperando seu filho ir para casa, não entenda o que são noites sem dormir pensando se seu filho está bem, se não golfou e a enfermeira não viu, se a saturação está boa… e tantas outras preocupações que temos um com um recém-nascido, que não está perto de você.  

Foram 45 dias de muito sofrimento, muita angústia e muitas incertezas, mas também foram 45 dias de muita fé em Deus, muitas orações e 45 dias com a descoberta de novos e verdadeiros amigos.  

Depois desses dias ressurgimos das cinzas com a tão sonhada alta, e aí tivemos a certeza de que Deus esteve ao nosso lado, esteve presente em cada oração, em cada pedido de que nosso pequeno guerreiro fosse para casa.
E como diz aquele velho ditado: “depois da tempestade vem a bonança”.  

E que bonança de felicidade. Como somos capazes de amar tanto um ser tão pequenino, que nem entende ainda o que é o significado da palavra amor.

Pietro é um presente de Deus em nossas vidas!! 

 

Nossos anjos

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27

nov

2019

Por: Lorraine Fernanda Siqueira Neves 

Os gêmeos Lucca e Laura nasceram prematuros extremos na manhã de 26 de outubro de 2018, em uma situação crítica com 27 semanas de gestação devido a um caso grave de pré-eclâmpsia com síndrome de Help, insuficiência placentária grave e crescimento intrauterino restrito.  

Os bebês nasceram por meio de uma cesariana de emergência. Laura com 560g e Lucca com 900g, foram direto para o CTI. Devido ao meu quadro também fui direcionada ao CTI e permaneci por seis dias. 

No sétimo dia de vida conheci os bebês. Embora soubesse da gravidade, fiquei muito assustada ao ver o quão frágeis e pequenos eram, ainda assim eles eram lindos. 

No decimo terceiro dia, por complicações da prematuridade perdemos a Laura, ouvir a notícia de que o coração do seu filho já não bate mais no peito é algo tão insuportavelmente doloroso, que faz com que toda a alegria e esperança desapareçam como bolhas de sabão que estouram ao simples toque.  

Sim, a dor é grande, incapacitante e parece infinita. Mas é uma dor transformadora e que vai te mudar para sempre.  

Saiba que a vida é cheia de coisas que nos fazem sofrer, mas o que fazemos a partir daí é que faz a diferença. Sim, você é forte e capaz de se reerguer, seguir em frente e aprender com a dor. Não é uma tarefa fácil, mas aprendemos que o abismo não é eterno e que somos capazes de “juntar os caquinhos do coração”.  

Com o tempo a dor vai virar saudade e aos poucos, será possível voltar a sorrir. Mas o choro às vezes será inevitável, e tenho certeza de que irei chorar por ela até o fim da vida, pois o amor e a saudade são sentimentos eternos.  

Seguimos em frente, caminhando um dia de cada vez com cada conquista e melhora que o Lucca apresentava. Prematuros extremos que sobrevivem, passam por diversas intercorrências, mãezinha”, essa frase era repetida por diversos médicos insistentemente, perder outro filho não era uma hipótese considerada por nós!  

Lucca teve infecção por klebsiella pneumoniae aos 15 dias de vida, hemorragia pulmonar, pneumonia, evoluído para sepseneonatal, 34 dias de intubação, o que ocasionou a displasia bronco pulmonar, 17 dias em VNI, 21 dias em CPAP e 28 dias em cateter nasal, 5 dias em ar ambiente sendo acompanhado e monitorado até a sonhada alta.  

Sim passamos por diversas intercorrências e sobrevivemos. Após 105 dias de internação, com 2180kg, sem nenhuma sequela, Lucca teve alta 

Ele é nossa razão de viver, nossa alegria diária, minha criança doce e alegre!  

“Não há dias cinzentos para quem sonha colorido. E como nós sonhamos! 

Nossa história!

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26

nov

2019

Por: Raquel Rocha 

Ana Laura e Cecília nasceram no dia 1 de outubro de 2014, com 26 semanas e pesando de 700 e 760 gramas, respectivamente.  

Ana Laura esteve conosco por 23 horas. Mesmo em um ambiente frio, com máquinas, barulhos e até então, totalmente desconhecida por nós, a sua partida foi doce e embalada pelos meus braços.  

Em suas últimas horas, dra. Tilza nos chamou e expôs toda a fragilidade da saúde da Ana Laura com muita doçura e cuidados nas palavras. Ainda viva, pudemos carregá-la, abraçá-la, cheirá-la, senti-la… E momentos antes da sua partida, a draTilza chega e nos diz: ” Fiquem o tempo que quiser”.  

E assim fizemos. Ficamos horas com ela ali, nos despedindo, nos abraçando, passando a ela todo nosso amor. Mesmo com todo sofrimento que havia em nossos corações naquele momento, sentíamos que nossa dor foi respeitada e isso nos trouxe paz. 

Cecília ficou 100 dias na UTI e mais 8 no apartamento se preparando para ir para casa. Foram dias de altos e baixos, uma verdadeira montanha russa. Havia dias que tínhamos a certeza de que ela sairia no dia seguinte e quando chegávamos, parecia que ela tinha acabado de nascer e que tudo tinha voltado como antes.  

Passamos por muitos apertos, por notícias ruins, mas os bons dias têm espaço vip em nossas memórias e a elas fazemos questão de sempre lembrar.  

Conhecemos médicos espetaculares. Entre eles, a dra. Simone Cirino, que nos acompanha desde a alta da Cecília, e a ela dou todos os méritos por me encorajar a ser uma mãe comum, sem neuras e sem preocupações desnecessárias.  

Às enfermeiras e fisioterapeutas, o nosso grande carinho e reconhecimento. As técnicas de enfermagem que com o passar dos dias dentro da UTI tornaram-se amigas. Foram cuidados tão pequenos que talvez elas nem saibam o quanto eram acalentadores para mim.   

Todo dia havia um lacinho diferente na Cecília. Vibraram e algumas até choraram comigo quando ela saiu do tubo. No primeiro dia que pudemos colocar uma roupa na Cecília, elas chegaram empolgadas trazendo a novidade.  

Tiveram uma paciência ao ensinar a dar banho na Cecília. Nos dias mais difíceis, traziam palavras de força e de fé. E toda a noite antes de voltar para casa com o coração na mão, elas diziam: ” Pode ir em paz, vou tomar conta como se fosse minha filha”E no dia seguinte, quando chegava, sentia que a promessa havia sido cumprida. 

No dia da alta, o choro foi uma mistura de alegria e de medo. Havia um mundo novo que começava naquele momento, sem o apoio daquelas pessoas tão especiais e que fizeram uma grande diferença nos primeiros 100 dias da minha filha.  

Graça a Deus conseguimos vencer. Cecília é uma menina linda, doce, viva e saudável. Sempre que vamos ao Vila, fazemos questão de visitar a UTI, rever os nossos amigos e abraçá-los tão forte quanto podemos na tentativa de dizer o quanto somos gratos por eles e por suas escolhas profissionais.  

Dois anjos em nossas vidas

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25

nov

2019

Por: Greice Quéria da Silva Fontes 

Eu sempre sonhei em ser mãe, em ver minha barriga crescer, viver cada momento da gestação e foi tudo programado, planejado. Mas os planos de Deus para nós eram outros. Eu seria mãe, mas seria mãe de Guerreiros. 

Meu sonho começou a se realizar quando descobrir que estava grávida, mas uma semana depois da descoberta eu tive meu primeiro sangramento, um descolamento de placenta foi um susto e com isso tive que fazer meu primeiro ultrassom e ali tive uma notícia maravilhosa descobrimos que eram dois fetos, que eu estava grávida de gêmeos. 

15 dias após o primeiro descolamento de placenta tive o segundo descolamento. Começou ali um medo de perder meus filhos. Uma semana depois, o terceiro descolamento de placenta. Perdi muito sangue, fui para o hospital e ali fui examinada e escutei do médico de plantão que eu havia perdido os bebês. Iriam me internar pois já era noite e no dia seguinte faria alguns exames.  

No dia seguinte fui fazer a ultrassom e para nossa surpresa meus filhos estavam ali, os corações batiam mais fortes que nunca, comecei então um repouso absoluto. Algumas semanas depois, em um novo ultrassom veio uma triste notícia que nos abalou muito: um dos fetos estava com uma má formação na coluna conhecida como Mielomeningocele e que o bebê teria que passar por uma cirurgia com menos de 24 horas de vida.  

Começou ali nossa luta. Na minha cidade não tinha recurso para que meu filho fizesse essa cirurgia. Foi quando meu médico me encaminhou para o Hospital Vila da Serra. Eu e meu marido abandonamos tudo e viemos lutar pelos nossos filhos 

Chegamos no dia 6 de outubro para uma consulta de rotina, mas eu já estava com dilatação e fui internada. No dia seguinte, 7 de outubro de 2016, eles nasceram. Foi tudo muito rápido e assustador. Eu tinha acabado de completar 28 semanas, exatos seis messes de gestação. Eram muito pequenos, mas nasceram. Os nomes seriam Arthur e Lucas. 

O primeiro a nascer foi o Arthur. Ele tinha a má formação na coluna e não pude vê-lo. Ele nasceu com 1000g e o levaram com urgência para a UTI Neonatal. Com o Lucas também não foi diferente. Não pude vê-lo. Ele nasceu com 1185g e já saiu da sala entubado 

Mais tarde recebemos mais uma notícia triste. O Lucas também tinha nascido com uma má formaçãoatresia de esôfago e também teria que passar por uma cirurgia em menos de 24 horas de vida.  

Eu não sabia mais o que pensar. O desespero começou a tomar conta de mim, o medo de perder meus filhos era muito grande, mas os coloquei nas mãos de Deus. Eles foram recebidos na UTI Neonatal por anjos. É como chamo todos lá sem excluir ninguém.  

Veio a primeira cirurgia, meses de intubação, CPAP notícias boas, ruins, momentos de dor, angústia, desespero, mas sempre com fé, fomos recebidos com muito carinho. Amor por toda a equipe da UTI Neo, eu fico até com medo de falar nomes e esquecer de alguns por que foram muitos os que nos deram força, que acolheram Arthur e Lucas com amor e muita dedicação.  

Nunca vou me esquecer do primeiro dia que pude pegá-los no colo depois de messes. Foi uma emoção que só uma mãe de prematuro, mãe de UTI sabe como é: inexplicável. Ter que ir embora e deixálos ali era a coisa mais difícil da minha vida. Foi como se eu estivesse deixando parte de mim para trás.  

O Arthur, por conta da má formação na coluna ficou com algumas sequelas. Ele tem a bexiga e o intestino neurogênico, não tem controle, ele não tem sensibilidade nas pernas e após três messes de UTI e muita luta, ele venceu uma etapa da sua vida e teve alta. Foi um dia muito especial para nós, masmeu coração ficou em pedaços pois estava levando o Arthur para casa e ainda deixando o Lucas.  

O Lucas ficou 1 ano e 4 meses na UTI passou por várias cirurgiasdo esôfago, gastro, intestino, estômago, traqueostomia. Foram messes de muita dor, mas também de muitas vitórias. Como foi difícil ter que cuidar do Arthur em casa e ficar com o Lucas na UTI.  

Mas vencemos cada dia com a ajuda dos médicos, enfermeiros, técnicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, verdadeiros anjos. Depois de um ano, o tão sonhado dia chegou.  

Lucas receberia alta e iria reencontrar seu irmão. Ele iria para casa com respirador oxigênio, seria uma UTI em casa, estávamos esperançosos. Mas, não foi como esperávamos. O Lucas veio para casa no dia 4 de outubro de 2017, e ficou apenas 24h. No dia seguinte estávamos voltando com ele pra UTI pois piorou com problemas respiratório.  

Ele ficou internado por mais 4 messes. Quando da alta, o medo de levá-lo para casa e ter que voltar novamente era grande, mas iríamos tentar mais uma vez e assim fizemos. Depois dessa alta ele ainda teve algumas intercorrências tendo que voltar para UTI alguns vezes, mas aos poucos fomos vencendo 

Ele saiu do respirador, do oxigênio, tirou a gastro. Ainda tem traqueostomia, mas vamos tirar. O Arthur nesse período estava lutando também com muita fisioterapia para que um dia ele possa andar e juntos eles lutam e vencem a cada dia.  

Hoje eles estão com 3 aninhos. Ainda estamos em BH, mas eles estão cada dia melhor. Nosso sonho hoje,é poder voltar para casa, em Viçosamas Deus está no comando.  

Minha gratidão pelo hospital Vila da Serra em especial a toda a equipe da UTI Neonatal e Pediátrica é enorme. Não teríamos vencido se não fosse a dedicaçãoo AMOR, o carinho deles.  

O que eles fizeram e fazem por todos esses guerreiros é inexplicável. Que Deus abençoe sempre a cada um de vocês e aqui fica o nosso muito OBRIGADO 

GRATIDÃO SEMPRE.   

Guerreiros que não desistem nunca! 

Nossa história

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22

nov

2019

Por: Fernanda Pessanha

Meu nome é Fernanda, tenho 44 anos, me casei em 2010, e sempre sonhamos em ter filhos e constituir uma família. Como namoramos durante 8 anos e já tínhamos 2 anos de casados e a minha idade já estava avançada para ter filhos, logo já tentamos a primeira gravidez.

Não demorou nada e em mais ou menos em 6 meses já engravidei. Foi uma festa…. Alegria em todos da família. Meu marido até publicou nas redes sociais, transbordamos de felicidade.

Até que no segundo ultrassom não foi visto mais o coração do bebê. Tinha acontecido um aborto. Naquele momento estava sozinha em uma maca de exame e com um médico que secamente disse ”não tem mais nada aí”… saí de lá meio tonta e sem rumo… não conseguia raciocinar.  Chamei uma amiga que me levou para casa. O sonho do primeiro bebê não existia mais, a primeira roupinha que já tinha ganhado ficou guardada na gaveta. O prognóstico foi uma internação no outro dia e a realização de uma curetagem, pois de acordo com o médico foi um aborto retido. E assim foi feito, uma curetagem sem dores físicas, mas com dores na alma.

Superamos o acontecido, pesquisamos que era muito comum a perda na primeira gestação e assim seguimos. Passaram-se 02 meses e aí veio a confirmação da segunda gravidez. Dessa vez ficamos quietinhos, não comentamos com ninguém e esperamos o primeiro ultrassom para certificarmos. O coração estava explodindo doida para gritar ao mundo a novidade e dizer que seria mãe.  Esperamos o momento certo e veio a confirmação. Estava tudo normal um embrião com o coraçãozinho pulsando estava ali dessa vez… forte e já muito amado.

A gravidez transcorreu muito tranquila, descobrimos que teríamos um menino logo com 13 semanas de gravidez. O Caio – que significa alegre, contente, feliz – estava chegando para inundar os nossos corações. Arrumamos o quarto, fizemos chá de bebê que mais pareceu uma festa de aniversário, até mágico teve, fiz fotos de gestante, tudo muito bem preparado e caprichado para a chegada do primeiro neto dos dois lados. Caio chegou no dia 23/09/12 em uma noite de domingo de parto cesariana pesando 3365kg, com muita gente aguardando na sala de espera e o quarto cheio de gostosuras da vovó para receber as visitas.

Em meados do ano de 2015, Caio já com quase 3 anos resolvemos ter outro bebê. Assim parei de tomar anticoncepcional e esperamos. Em agosto fiquei grávida… felicidades mil, mas logo no primeiro ultrassom novamente não tinha coraçãozinho apenas o ovo embrionário vazio. Esperei o aborto espontâneo, mas não ocorreu e assim tive que me submeter a outra curetagem após quase 30 dias de espera. Todos da família ficaram sabendo e ficamos tristes novamente. Fiz em seguida uma série de exames, o meu marido também e não foi diagnosticado nada. Realizei um procedimento no útero para retirar algumas sinéquias. E assim se passaram 2 anos de tentativas.

Em outubro de 2017 me vi novamente grávida e ficamos em silêncio, rezei muito e pedi a Deus que desse tudo certo… queríamos muito outro bebê, a espera era muita e aguardávamos muito ansiosos. Já ia para o ultrassom com muito medo, coração disparado, mas cheio de esperança.  Também não foi dessa vez. A tristeza invadia o coração, mas a certeza que ainda existia a possibilidade, estava na minha alma. Essa tentativa não contamos para ninguém…. Após quase 30 dias de espera tive que me submeter a outra curetagem. Graças a Deus esses procedimentos não foram dolorosos no corpo, doíam no coração por mais uma vez não ter conseguido.

Fomos tocando a vida tentando tirar o foco daquele desejo de ser mãe novamente…até que em março de 2018, engravidei novamente. Dessa vez fiquei mais contida estava acreditando, mas bem consciente. O primeiro ultrassom foi muito emocionante ao escutar aquele coraçãozinho bater…estava ali aquele ser que não tinha ideia do quanto já amávamos. A cada exame uma ansiedade, mas a certeza de que estava ali a minha menina sem saber ainda o sexo.

E a gravidez transcorria tudo bem, até que com 23 semanas foi constatado que realmente a placenta estava totalmente baixa e que aminha gravidez era de risco. Recebemos a notícia e já fomos encaminhados para uma equipe que atende no Hospital Vila da Serra para o acompanhamento. Tinha o risco de histerectomia e de hemorragia.

Tive dois sangramentos importantes e após esse segundo fiquei de repouso absoluto em casa. Nesse momento iniciava-se uma etapa da minha vida de muito aprendizado e fé. Permaneci duas semanas de repouso absoluto em casa. Para uma pessoa superativa, elétrica e acelerada foi no início muito difícil, mas pela vida da minha pequena que estava por vir, superaria tudo.

Ao final da segunda semana em um domingo à noite tive o terceiro sangramento. Fomos para o hospital e dessa vez fiquei internada para ter os cuidados por perto. Realizava todos os dias ultrassons e foi constatado que estava com acretismo placentário e parte do cordão umbilical também estava abaixo nessa região da placenta. Foram dias de muito cuidado, medos, força, saudades do meu outro filho em casa…. das coisas que não tinha conseguido fazer… chá de fraldas, fotos gestante, acabar o quarto, lavar as roupinhas… e tinha muitos planos para assim que tivesse alta realizar. Sempre muito organizada fazia tudo planejado. Só que dessa vez não tinha o controle… como não temos o controle da vida….

No domingo, exatos 7 dias de internação com possibilidade de alta na segunda-feira, me arrumando para dormir no leito do hospital senti uma sensação diferente e quando vi estava sangrando. Daquele momento em diante foi pedindo a Deus pela minha menina, tremia muito e após exame do médico já fui encaminhada ao bloco cirúrgico. O coraçãozinho dela estava ali batendo e isso me dizia que estava tudo bem. Assim no dia 30/09/18 as 22:54h Laura – que significa louros, vitoriosa, triunfadora – nasceu com 1200kg, 38 cm e 27 semanas e 6 dias. O meu parto transcorreu bem, não precisei de nenhum cuidado especial e ouvi o choro da minha Laura bem alto. A pediatra logo disse: “menina brava”, logo pensei… essa é a minha Laurinha.

A partir desse dia conheci um amor profundo, tive que renovar a fé, acreditar mais e mais que temos que viver um dia de cada vez e que não temos o controle de nada. Vi a Laura na incubadora um dia depois do seu nascimento. Fui com muito esforço até a UTI neonatal e as primeiras notícias não foram muito boas. Laura não tinha reagido ao surfactante, tinha sangrado os pulmões. Aquelas primeiras horas de vida eram imprescindíveis para sua vida. Só podíamos rezar junto à incubadora e emitir energia de amor para aquele ser que lutava para viver.

A cada dia que entrávamos para lavar as mãos para entrar na incubadora sentíamos um frio na barriga, o que esperar… como encontraríamos a nossa pequena. Laura ficou em VM convencional por nove dias, em VAF por 10 dias, VNI por 2 dias, CPAP nasal por 14 e em cateter nasal por 12 dias. A cada conquista e evolução vibrávamos na esperança e certeza de irmos para a casa em breve.

Quando tudo parecia bem Laura já iniciava sucção no seio materno (momento mágico em que me senti mãe de verdade), de repente apresentou uma série de apneias e retornou ao CPAP nasal por 2 dias, evoluiu com piora sendo reintubada mantendo VM por 6 dias. Esses 6 dias foram de muita angústia e mais aprendizado. Laura tinha o seu tempo e não o nosso tempo.  Após foi para o CPAP nasal por 03 dias e o cateter nasal por 16 dias.

Até que chegou o grande momento de irmos para a ALA E, sair da UTI neonatal e irmos para um ambiente em que poderíamos ficar mais tempo aos cuidados com ela e aumentar a sucção em seio materno e desmamar do oxigênio.  A partir desse dia somente alegrias e conquistas. Fomos aprender a dar o banho, a lidar com os engasgos a dar a mamadeira e a ter os cuidados de um recém-nascido.

E chegou o tão esperado dia da alta, 73 dias vividos intensamente. Não conseguirei descrever o que senti nesse dia.  Uma mistura de sentimentos, alegria, receio do que viria pela frente e gratidão por tudo e todos. Recebemos a notícia em casa e foi uma euforia total. Laura estaria em casa para o Natal em família.

Agradeço imensamente a Deus que esteve comigo em todos os momentos, a Maria santíssima que me carregou no colo nas horas de dor e tristeza. A Jesus pela força e fé que tive que aprender nesse período que levo para toda a vida. Hoje sou uma pessoa melhor, enxergo as coisas de outra forma, sem tanta pressa e agradeço todos os dias pela vida da Laura e por ter nos dado força para passar por tudo.

Agradeço toda a equipe do Vila da Serra por todos os cuidados prestados a Laura com muita competência e dedicação. Um agradecimento especial às queridas mães, amigas, cúmplices e companheiras de UTI que fizemos laços inseparáveis e que tornou essa caminhada mais leve, grupo de mães que levarei no coração para o resto da vida.

Nossa História…

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18

nov

2019

Por: Emilaine Sueley Alves de Oliveira
Eu sempre sonhei em ser mãe!
Quando descobri que estava grávida, foi uma alegria imensurável. Em meu coração, a certeza que mais um sonho iria se realizar. Quando fiz o meu primeiro ultrassom e ouvi o coraçãozinho do meu bebê batendo, eu fiquei sem palavras. O meu coração ficou radiante!
Fiz o pré-natal direitinho e a cada consulta o meu coração ficava mais ansioso, pois queria logo descobri o sexo do bebê. Independente de menina ou menino, eu já amava de uma forma incondicional. Eu queria muito saber o sexo para planejar tudo com muito amor e carinho, como tudo que faço em minha vida. Eu queria dar o melhor para o meu bebê. Os meses foram passando, e chegou o grande dia. Eu já tinha em mente o nome de um menino, porém o de menina eu não tinha decidido ainda.
Como é difícil escolher um nome para um filho, não é?! Tivemos uma grande surpresa: era uma menina. Logo pensei:rosa, rosa e rosa…E o meu coração ficou ainda mais feliz, pois o meu sonho sempre foi ter uma menina. Mas, sempre pedia a deus que independente de ser uma menina ou menino, que venha com muita saúde, pois amor e carinho nunca iriam faltar.
Seguimos com a gestação com os nossos corações repletos de alegria e ansiosos com cada detalhe do enxoval. O papai fez questão de escolher o nome da nossa princesa. Laura foi o nome escolhido por ele. Quando eu pesquisei o significado, eu não tinha dúvidas de que esse era o nome perfeito para ela. Laura significa “Loureiro”, “Vitoriosa”, “Triunfadora”.
Minha gestação foi muito tranquila desde o início. Nenhuma intercorrência, exames sempre dentro da normalidade e pressão arterial sempre normal.
Na madrugada do dia 20/07/2019, eu acordei com uma cólica e um mal-estar. Achei que era por algo que comi e não tinha me feito bem. Quanto a cólica, achei que era normal, pois já tinha sentindo isso algumas vezes. Tentei dormir novamente, mas não conseguia, pois, a dor estava aumentando pouco a pouco. Meu marido percebeu que eu estava muito inquieta e me perguntou se eu estava bem. Contei para ele o que eu estava sentindo e ele me chamou para ir no hospital e logo respondi: eu não quero ir, são 2 horas da manhã, isso vai passar.
Tentei dormir, mas não consegui e as dores estavam só aumentando. Acordei o meu marido e pedi que me levasse no hospital, pois eu não estava mais suportando as dores. A caminho do hospital, estava sentindo muitas dores e achei que não ia chegar a tempo de ser socorrida. O desespero tomou conta de mim.
Chegando ao hospital Vila da serra, fui rapidamente atendida e minha pressão estava alta. Eu perguntei: como? Eu nunca tive pressão alta. A médica de plantão me examinou e meu colo estava fechadinho, eu não tinha tido nenhum sangramento, mas as dores eram cada vez mais fortes. Ela tentou ouvir o coração do bebê e não conseguia ouvir. Entrei em desespero, e logo pensei: eu perdi o meu bebê.
Fiz uma consulta com um cirurgião e ele me pediu vários exames e me deu um remédio para dor. Logo a dor foi embora, eu não sentia mais nada. Estávamos esperando os resultados dos exames, pois ainda não haviam fechado um diagnóstico. Mudaram o plantão e a médica que entrou pela manhã, tentou ouvir novamente o coraçãozinho do bebê. Após várias tentativas, ouvimos o som que eu tanto esperava ouvir novamente, o coraçãozinho batia forte. Respirei aliviada.
Quando os resultados chegaram, tivemos a triste notícia que teríamos que interromper a gestação, pois o meu quadro era grave…Doença hipertensiva específica da gravidez, evoluiu para Síndrome de HELP. Entrei em desespero. Eu perdi o meu chão! Disse para a médica: mas eu só estou de 24 semanas?! Ela me explicou que eu já estava correndo risco de vida, pois meus exames estavam todos alterados e que não tinha outra maneira de solucionar esse problema.
Após muita conversa com a equipe do Vila da Serra, fiquei mais calma e então começamos a resolver as questões para realizar o procedimento. Eu tive que fazer uma cesária de emergência e fui submetida anestesia geral. As 18h23, a Laura nasceu. Pesando apenas 460 Gr, medindo 26,5 cm e com apenas 24 semanas e 6 dias de gestação. Ela foi levada direto para a UTI NEO. E eu também fui para a Uti adulto, onde fui muito bem cuidada e acompanhada por toda equipe do HVS.
Quando fui conhecê-la, ela já tinha 6 dias de vida. Devido as minhas condições clínicas e por estar na UTI, com dreno e sonda, não pude sair antes, apesar de querer muito ter estado ao lado dela desde o primeiro segundo da vida dela. Quando a conheci, eu fiquei muito assustada, pois ela era muito mais muito pequena.
Chorei muito quando a vi naquela situação. Eu não tive muito leite no início. Recebi a visita da Bruna do aleitamento materno e ela me ajudou muito nesta questão. Mesmo tendo pouco leite nos primeiros dias, eu sempre tirava para ofertar, pois sabia da importância do leite materno. Depois de alguns dias após a minha alta, comecei a tomar uma medicação para produzir mais leite. E deu certo. Conseguia ofertar uma quantidade maior para Laura.
Os primeiros dias da Laura, foram bem complicados devido ao fato de ela ser muito prematura e muito baixo peso. A Laura fez uso nos primeiros dias de vida de Dobutamina, Adrenalina e Noradrenalina. Fez uso também de antibióticos devido a um quadro de pneumonia. Ela tinha crises convulsivas e teve melhoras após iniciar as doses de Fenobarbital.
Laura lutou muito para viver. Apesar do quadro clínico dela ser muito delicado, dentro dela tinha uma força enorme e uma vontade de viver admirável e apesar de todas as dificuldades e obstáculos, ela nunca desistiu de lutar. Ela foi mantida na Ventilação mecânica (VM), modificado para ventilação de alta frequência (VAFo), no 3° dia de vida e mantido por 5 dias e em ventilação mecânica convencional por 29 dias, sendo extubada em 23/08/2018, colocada em VNI que foi mantido por 2 dias, em CPAP nasal por 8 dias, apresentou apneia, retornado para VNI, que foi mantido por 8 dias.
Apesar de todas as dificuldades e obstáculos que encontramos no decorrer dessa jornada, seguimos firme, confiando em Deus e estando todos os dias ao lado da nossa guerreira. O quadro da Laura estava se estabilizando mais a cada dia. Ficávamos felizes com cada graminha que ela ganhava, com cada evolução do quadro dela, o nosso coração se alegrava com cada conquista.
No dia 27/09/2018, ela teve uma piora no quadro que não conseguimos acreditar, pois o quadro já tinha estabilizado e ela estava bem. Ela apresentou vômito volumoso, com posterior parada cardiorrespiratória, sendo reanimada por 16 minutos. Recebi uma ligação do hospital com essa triste notícia e perdi o meu chão mais uma vez. Fiquei com muito medo de perdê-la e não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo, pois, um dia atrás estávamos comemorando mais uma vitória dela.
A Laura passou a ser o bebê mais grave de toda UTI. Evoluiu com piora clínica, sendo entubada novamente, mantida no VM por 25 dias. Não podíamos nem a tocar, pois a pressão arterial estava muito baixa e a saturação caia com muita frequência.
Foi uma fase muito difícil, tivemos muitas intercorrências nesse período, mais seguimos com a certeza que iriamos vencer. Laura lutou muito e mais do que nunca para conquistar mais essa vitória. Estivemos ao lado dela, todos os dias durante a sua internação e como isso fez diferença.
Tinha dia que o meu coração estava tão triste com alguma notícia que eu não tinha força nem para chorar, mas nunca deixei de estar ao lado dela. Segurava sua mão e ela apertava forte o meu dedo e isso me fazia acreditar que desistir nunca foi uma opção. O tempo foi passando e o seu quadro estabilizando.
Comemorávamos cada etapa vencida. Cada graminha que ganhava o nosso coração saltava de alegria, tudo era motivo de comemoração. A Laura deixou de usar o oxigênio da noite para dia. Eu não acreditei quando vi ela respirando sozinha, pois todos os dias os médicos falavam que ela ainda era muito dependente do oxigênio.
Em 27/11/2018, ela estava respirando sozinha, em ar ambiente e não teve nenhuma intercorrência, mantendo bom padrão respiratório. A Laura não ficou com nenhuma sequela!
Foram 4 meses e 20 dias de internação. Eu apreendi muito nesse período. Comecei a enxergar a vida de outra forma. Todos os dias quando eu chegava em casa do hospital, eu sempre dizia: obrigada meu Deus, por mais um dia vencido!
Sou muito grata a deus por tudo. Não foi nada fácil, passar por tudo isso, mais Deus cuidou de cada detalhe. Conheci pessoas admiráveis, que estiveram ao me lado no momento mais difícil da minha vida.
Que cuidaram de mim e que me ensinaram que a vida é simples, porém cada segundo deve ser valorizado. Minha gratidão eterna primeiramente a Deus, por ter me escolhido para cuidar desse milagre. Ao meu marido que esteve presente em todos os momentos. Aos meus pais e minha irmã, que sempre estiveram ao meu lado e me ajudaram a superar essa fase tão difícil da minha vida. A minha família e amigos que torceram muito para que tudo desse certo. As minhas amigas, também mães de UTI que fizeram essa jornada mais leve e estiveram sempre ao meu lado.
E, claro que não poderia deixar de dizer o quanto sou grata a toda equipe do Hospital Vila da Serra.
Foi assim que eu descobrir o grande amor da minha vida!

Davi – Da prematuridade extrema ao judô

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14

nov

2019

Por: Letícia Marques
Davi nasceu de 27 semanas, pesando apenas 540g e medindo 29cm.
Ao todo, foram 88 dias de internação, período no qual ele apresentou sepse fúngica, hemorragia intracraniana, plaquetopenia autoimune, PCA (sendo operado com nove dias de vida), instabilidade hemodinâmica grave no pós-operatório, TVP no bracinho esquerdo, anemia severa e recebeu 4 transfusões.
Foram momentos muito difíceis…
Eu ficava lá na UTI todos os dias, de segunda a segunda, das 13hs às 22hs. Em cada bebezinho que era admitido, eu logo procurava saber o peso, porque todos os outros bebês eram maiores que meu filho e isso me dava um pouco de medo e angústia.
Medo do universo até então desconhecido da prematuridade extrema. Ao longo do período da internação do Davi, não apareceu nenhum bebê menor que ele e, por vezes, esse medo e a fé se confrontavam em meu coração.
Resolvi então,pedir uma autorização para o Davi ser batizado na UTI, e a partir desse dia, de forma Divina, graças ao bom Deus, ele começou a melhorar e se recuperar!
Testemunhei muitos risos e muitas lágrimas nesse tempo, fiz amizades eternas, conheci de perto o trabalho de profissionais espetaculares, aprendi os segredos da paciência, vivi o tempo das esperas e experienciei uma relação muito mais próxima com Deus.
Davi sempre apresentou uma importante restrição de crescimento e ganho de peso, o que me fez buscar diferentes profissionais para ajudá-lo. Nessa busca, ele foi diagnosticado com Síndrome de Silver Russell (um tipo raro de nanismo) e devido a limitação de crescimento, a prática esportiva poderia trazer benefícios a ele.
Então pedi ajuda a um professor de judô que, prontamente ofereceu uma bolsa integral ao Davi e seus irmãos e desde fevereiro desse ano, ele vem praticando a arte com sucesso. Sua primeira troca de faixa (da branca para a cinza) foi em junho e já fomos avisados que em dezembro ele vai para a faixa azul clara. Em outubro, Davi recebeu uma MENÇÃO HONROSA ao final da aula por sua disposição, disciplina e esforço, apesar das suas limitações.
Hoje, Davi está com 4 anos e 7 meses, pesa 9,6kg e mede 85cm.
Ele adora música e diz que será “Doutor de adulto” (médico) e SENSEI (professor de Judô). Para mim, ele é o “Doutor da minha vida”, a inspiração que me conduz a sonhar e construir dia após dia uma vida com mais entusiasmo e leveza.
Ao meu filho, meu amor mais profundo! Aos nosso guerreiros prematuros, profundo carinho, admiração e respeito! E a todos os profissionais que se empenharam pelo meu filho e se empenham pela vida de tantas outras crianças, gratidão eterna!

Theo – Uma história de superação e fé

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13

nov

2019

Por: Daniela Minez Tosto Nogueira
Na 16ª semana de gestação descobri que havia ocorrido uma má-formação com o feto e que, por não visualizar a bolha gástrica, o provável diagnóstico seria atresia de esôfago. Neste mesmo ultrassom escolhi o nome do amor da minha vida: Theo.
Moramos em uma cidade do interior que, embora em crescimento, ainda é deficitária com relação à saúde. Continuei fazendo meus exames pré-natais aqui, com um ótimo profissional que logo que descobriu me pediu para procurar um médico na capital pois minha cidade não dispunha de uti pediátrica e que, com certeza, ao nascer ele precisaria – mas jamais imaginaríamos que seria por prematuridade.
Como estava com apenas 16 semanas, não me apressei e, ao contrário, não “aceitando” o diagnóstico, resolvi buscar outras opiniões – o que me arrependo, pois, um dos médicos me sugeriu, inclusive, a prática de um aborto sob o fundamento de que meu filho, pela má formação, não sobreviveria.
Após este diagnóstico conheci meu primeiro anjo, de nome Eduardo (à época com 5 anos) que havia nascido com a mesma má -formação e que havia sido operado pelo Dr.Marco Antônio e ficado aos cuidados da equipe da UTI do Hospital Vila da Serra.
Eduardo era lindo e perfeito e fez vibrar meu coração.
No mesmo dia me dirigi ao Vila no intuito de agendar uma consulta com este médico. Estava com 33 semanas de gestação. O maior acerto da minha vida!!!
Na semana seguinte, às 3 horas da madrugada, minha bolsa estourou. Liguei desesperada para meu médico aqui que disse que eu deveria ir imediatamente ao Vila. Liguei para o dr. Marco Antônio (sim… as 3 da manhã), e mesmo pelo horário horrível ele foi de um cuidado e um amor impressionante.
Dei entrada no Vila e Theo veio ao mundo às 11h56 do dia 06/02/2015 através de Cesárea. Nasceu prematuro de 34 semanas, pesando 1,700 e medindo 42cm.
O que, para a maioria das mães é o dia mais feliz da vida, lembro deste momento com muita dor… prematuro e com a má formação da atresia confirmada, só pude ver Theo por 10 rápidos segundos, pois precisava ser levado em urgência para a UTI ou poderia se “afogar” na própria saliva.
Mas a pediatra que estava na sala de cirurgia tinha um olhar tão firme e ao mesmo tempo tão doce, aliado ao carinho e respeito do cirurgião, que a única coisa que pude fazer foi confiar. Orar e confiar.
Dois dias depois tive alta. Como dói entrar com o grande amor no ventre e sair de braços vazios. Como dói ter de deixar aos cuidados de desconhecidos a pessoa que você mais ama na vida. Quando estava saindo, sob lágrimas, uma outra linda mãezinha saía com seu filho – também Theo.
Ajoelhei no chão da entrada do hospital e gritei… um grito de dor incontrolável. Fui levada nos braços pelo pai do meu filho e por minha mãe.
Theo operou com 19 horas de vida para abertura de gastrostomia e ficou em sonda replogle por 68 dias antes da realização de anastomose aguardando o crescimento dos cotos, o que não ocorreu.
Meu Deus: sobe saturação, desce temperatura, não ocorra bradicardia… a gente fica viciada em monitor.
Quando da cirurgia, o cirurgião resolveu pela tentativa de ligação dos cotos, conseguindo. Teve alta da UTI Neonatal com 90 dias de internação. Neste meio tempo os “desconhecidos” passaram a ser conhecidos, amigos e até irmãos.
A esquipe é tão maravilhosa que, mesmo depois da alta, não conseguimos mais nos separar deles… passei a sair de minha cidade para fazer acompanhamento pediátrico mensal com o Dr. Carlos Milton: dedicação, experiência, habilidade e inteligência em um profissional.
Entretanto, aos 6 meses de idade descobriu-se uma segunda má formação também no esôfago – um coristoma.
Um dia antes do aniversário de 1 ano fora realizada cirurgia para retirada do coristoma, sendo a cirurgia apenas exploratória, pois não houve a localização da cartilagem. Nesta segunda internação, permaneceu por cerca de 10 dias. Passou seu primeiro aniversário na UTI.
Aos 18 meses de idade nova internação para tentativa de retirada do coristoma, com sucesso. Entretanto progrediu com gastroparesia não identificada de início, tendo que se submeter a outras duas cirurgias –momento mais crítico de sua vida– quando a cirurgia anterior ‘arrebentou” e progrediu com pneumotorax por causa do bário entre outras coisas.
Posteriormente se submeteu a nova cirurgia com reabertura da gastrostomia, jejunostomia e bypass em Y. Teve alta após quatro meses de internação com sonda jejunal ligada em bomba de alimentação durante 24 horas ininterruptas, sem se alimentar oralmente, sem andar, sem falar e com extrema desnutrição.
Mais uma vez seu quadro piorou, progredindo com refluxo severo que agravava s eu quadro cirúrgico e nutricional, retornando à UTI três meses após sua alta, passando por uma nova cirurgia e permaneceu por mais 21 dias internado.
Após a alta iniciou procedimentos de dilatação, que já somam 56 até o momento. Não tinha perspectiva de se alimentar oralmente, de falar ou de andar. Paralisia Cerebral, Gastroparesia, Intercorrências Cirúrgicas, Anemias, Transfusões de Sangue, Infecções, entre diversas outras coisas poderiam ser empecilho para uma vida plena.
Mas não para Deus e não para os médicos que o acompanharam na UTI e o acompanham até hoje. Médicos que, por mais difícil que a situação parecesse, por mais chata que uma mãe de uti se torne, por mais complicações que apareçam, jamais desistem de salvar a vida de nossos filhos. Jamais desistem de dar uma vida linda a nossas crianças. Jamais desistem da gente.
Hoje, próximo de completar 5 anos fala perfeitamente, já sabe ler, está aprendendo a fazer operações matemáticas, melhora sua coordenação motora a cada dia, já andando de forma completamente funcional e principalmente, se alimenta exclusivamente oral. E como come!
Somos eternamente gratos a todos da equipe da UTI do Hospital Vila da Serra. Minhas orações diárias, que antes eram par rogar a Deus pela vida do meu filho, se transformou em cântico de gratidão a profissionais tão Humanos.