Atendimento em Pediatria

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10

set

2015

O cenário da pediatriaA em minas gerais
Nos últimos anos, muito se debateu sobre a migração dos médicos pediatras para outras especialidades ou para a atuação em consultórios particulares. A baixa remuneração da consulta clínica pelos planos de saúde, a necessidade de estar quase sempre disponível para atender a criança e seus pais e a queda no número de leitos pediátricos nas unidade de urgência e emergência, são três dos principais motivos que levaram muitos especialistas a abandonar o setor.atendimento em pediatria
Acrescenta-se ainda a desvalorização da categoria e a má distribuição dos pediatras pelo país, com maior concentração nos grandes centros urbanos. Segundo o Conselho Regional de Medicina, atuam hoje em Minas Gerais, 2.850 pediatras, sendo que 1.231 estão em Belo Horizonte. “Em média, o pediatra recebe 30% menos do que os outros médicos e os planos de saúde não pagam nem um centavo a mais pelo fato da consulta ser mais demorada e complexa”, aponta a pediatra e presidente da Sociedade Mineira de Pediatria (SMP), Raquel Pitchon dos Reis. Ela explica que há peculiaridades no atendimento pediátrico, uma vez que o profissional trata pessoas que ainda não verbalizam o que estão sentindo. “A abordagem é mais social e emocional. O especialista vai além de apenas focar nos sintomas e no diagnóstico. ”, completa.

Para reverter esse quadro nada favorável, seriam necessárias diversas medidas, como incentivos na formação da titularidade, readequação na tabela de remuneração e uma política adequada.

“Além dos três anos investidos na residência, as condições de trabalho nem sempre são boas, a remuneração ainda é baixa e não há valorização da saúde pública”, lembra a pediatra, reforçando a tese de que a longa jornada e os entraves vividos no início da carreira fizeram com que muitos pediatras, nos últimos dez anos, preferissem migrar para áreas de gestão ou outras especialidades.

Quadro mais alentador
Contrariando as estatísticas e os fatos expostos, o cenário da Pediatria em Minas e em Belo Horizonte começou a sofrer leves oscilações nos últimos dois anos. Ligeiras movimentações de mercado sugerem sensível aumento na procura pela especialidade, algo em torno de 10%. Em 2013, 62 profissionais inscreveram-se para a prova de obtenção do título e no ano passado esse número pulou para 98.

Para Raquel Pitchon, o quadro começa a se mostrar positivo. “Recentemente, percebemos uma mudança de conscientização da classe e uma luta pela melhoria nas condições de trabalho e na remuneração diferenciada de consultas e exames, destinada aos hospitais e aos pediatras pelas operadoras de planos de saúde”, informa.

O resultado dessa conscientização pode ser a retomada, ainda não confirmada, dos serviços de pediatria do Hospital Felício Rocho, o que ameniza em parte, o impacto negativo causado pelo encerramento das atividades de várias unidades pediátricas na capital.

Trajetória e desafios do Hospital Vila da Serra
Na região metropolitana de Belo Horizonte, 18 hospitais e serviços especializados em pediatria encerraram suas atividades nos últimos anos. A baixa lucratividade em função dos valores pagos a consultas e exames pelos planos de saúde foi apontada como o principal motivo, ou seja, as unidades de pediatria não davam lucro. Já nos hospitais públicos, a falta de incentivo, as condições ruins de trabalho e os baixos salários constituíram graves obstáculos para que os centros pediátricos permanecessem de portas abertas.“Habitualmente, a criança não necessita de exames e intervenções mais sofisticados, nem mesmo o atendimento neonatal, o que para as seguradoras e operadoras de planos de saúde não interessa, não gera lucro”, explica Dr. Ewaldo Mattos, coordenador adjunto do Pronto Atendimento (PA) do Hospital Vila da Serra.

Ainda hoje, o HVS é um dos poucos hospitais com vocação nata para oferecer unidades pediátricas e obstetrícias como foco principal. “Apesar do PA pediátrico ser um local de atendimento de urgência, que envolve um clima de tensão, com mães e crianças estressadas numa jornada de angústia e espera, o Vila da Serra é um dos poucos hospitais que mantém serviços e profissionais exercitando diariamente a pediatria artesanal, com visão, ausculta e escuta atenciosas do histórico trazido pelos pais das crianças”, lembra Dr. Ewaldo. Apesar das dificuldades rotineiras, o coordenador é otimista, especialmente após o avanço em relação ao reajuste na tabela de remuneração dos médicos pediatras.

Dr. José Sabino de Oliveira, coordenador da Clínica Pediátrica, também reconhece uma gradativa melhora pela procura da especialização e percebe um tênue movimento no sentido da valorização da criança. “Estamos construindo melhores estruturas físicas, investindo em mais cursos de formação, melhores ambientes e sempre aprimorando nossa equipe”, conta. Exemplos disso são as propostas voltadas para a clínica neuropediátrica e o investimento em dermatologistas e endocrinologistas pediatras. “Contamos com um Centro de Estudos bem equipado, com vasto material de pesquisa, consulta e estudos para médicos e residentes”, acrescenta o incansável Dr. Sabino que, aos 70 anos, ainda atende com o mesmo amor e dedicação à profissão de médico pediatra.

Atendimento infantil 24 horas: quando é preciso?
As unidades de Pronto Atendimento (PA) foram criadas com o objetivo de atender pacientes que estejam em estado de urgência ou emergência. São pessoas que correm risco eminente de vida, como acidentados, suspeita de infartos, derrames, fraturas, pneumonia, entre outras complicações. O conhecimento e o entendimento dessa informação são fundamentais para um bom e eficiente atendimento, uma vez que uma grande porcentagem de pessoas que procuram o serviço não faz parte dos casos de urgência.

No caso do atendimento infantil, o que se percebe é que a ansiedade dos pais, a dificuldade em falar com o pediatra particular da família e a possibilidade de um atendimento imediato influenciam na busca pelo PA que, consequentemente, fica lotado e com um enorme tempo de espera para as consultas.
Além da demora, a comodidade no atendimento imediato pode influenciar o acompanhamento médico da criança, uma vez que pode incluir a solicitação de exames e posteriormente, indicações de um tratamento.

Após o atendimento no serviço de urgência é necessário que a família marque uma consulta com o pediatra da criança, pois ele ou ela conhece o histórico de saúde, crescimento e desenvolvimento do paciente, podendo contribuir para o seguimento do tratamento.

Portanto, vale salientar que Pronto Atendimento não é local para consulta eletiva. A utilização incorreta do serviço pode causar não apenas a superlotação, mas tornar a relação entre os profissionais, pacientes e acompanhantes desgastada, além de aumentar o risco de contaminação de doenças. Lembre-se: seu filho estará suscetível à contaminação com qualquer outro tipo de vírus ou bactéria que a sala de espera está sujeita.

O ideal (nos casos de não urgência) é sempre procurar primeiro o pediatra da criança. Mesmo uma orientação por telefone pode ajudar a resolver a situação.
E quando correr para um pronto atendimento? Febre alta persistente, convulsões, quadro de vômitos incontroláveis (mais de três episódios por hora) ou dificuldade para respirar são casos de emergência. Queimaduras, fraturas, traumas na cabeça seguido de sonolência e reações alérgicas, também são sinais de alerta para uma consulta no PA.

Conheça o nosso Atendimento Infantil
O Hospital Vila da Serra oferece Atendimento Infantil de Urgência e Emergência 24 horas, todos os dias da semana, com profissionais de alto nível com diferencial técnico-científico e uma assistência de excelência, focada na segurança do paciente. Assim que chega à unidade, a pessoa é direcionada para a triagem, onde é identificado o grau de urgência de cada caso (veja quadro abaixo). Em seguida, o paciente é encaminhado para o atendimento médico.

Cores determinam o tempo médio para atendimento de cada paciente:

cores determinam o tempo médio para atendimento de cada paciente

Além do Atendimento Infantil 24 horas, o HVS oferece Clínica de Internação, UTI Neonatal e Pediátrica e Consultórios de Pediatria. O hospital está aparelhado para as mais complexas cirurgias ortopédicas, cardíacas, vasculares e neurológicas, entre outras. São aproximadamente 200 pediatras e uma equipe multidisciplinar que também envolve cirurgiões, cardiologistas, anestesistas, ginecologistas, além de residentes em pediatria e plantonistas que se revezam em todas as unidades.

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